terça-feira, maio 27, 2008
Vento
Talvez seja o mistério de sentir sem ver
De ser tocada sem tocar
De perceber o invisível
Aquilo que sabe-se estar porém sem residir...
A dinâmica do invisível e vital parece conter algo de divino e misterioso..
Que pode ser percebido mais do que pelos sentidos;
Pela alma!
E talvez seja esta que reconheça a expressão do divino no vento
Uma pista do mistério de fazer-se presente ainda que sem ser percebido;
Que passa mas sempre fica; numa dinâmica constante.
Claudia Cruz - 27 de maio de 2008
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Nota: A autora, por feliz desígnio do destino, é namorada do dono do Blog! :)
sábado, junho 30, 2007
Como vencer a pobreza e a desigualdade
Reproduzo abaixo o texto que enviei ao concurso de redação UNESCO/Folha Dirigida, a mim indicado por uma amiga. O escrito deveria responder a pergunta acima. Deixem comentários com suas impressões a respeito! :)
Empreender é preciso
A erradicação da pobreza e redução das desigualdades está expressamente caracterizada como fundamento da República Federativa do Brasil no texto da Carta Magna (art. 3º, III). Apesar disso, respostas conclusivas à questão de como atingir esse fim ainda estão pendentes. As possíveis soluções, porém, por mais criativas e engenhosas, encontram ponto de convergência no efeito que produzem: desconcentração de renda.
É ponto pacífico que o combate aos cânceres sociais, como os que a Constituição se propõe a combater, passa, necessariamente, por uma gama de investimentos em educação bem mais expressivos. Isso traz consigo o já lugar-comum silogismo: mais educação implica acesso facilitado ao mercado de trabalho, o que, por seu turno, gera circulação de renda (leia-se “dinheiro”). Este modelo funcionaria muito bem se o Brasil fosse país em que abundassem ofertas de trabalho. Notória e infelizmente, não é caso.
Ora, significativa parte dos empregos existentes no mercado é resultado do trabalho de brasileiros que, num esforço de realização pessoal, decidiram criar suas próprias empresas, ou seja, de empreendedores. Além disso, é justamente a atividade empreendedora que movimenta o país em todas suas esferas, mesmo na pública, a qual subsiste a partir dos impostos advindos dos empreendimentos e seus funcionários, que movimentam a economia. O modelo educacional vigente, todavia, a despeito da notável importância do empreendedorismo no âmbito social, privilegia formar pessoas que assumirão empregos, em detrimento daquelas que os gerarão. A precariedade desse paradigma é bastante clara: que parece mais vantajoso, assumir um emprego ou criar vários deles?
É sobremaneira imperativo, para o país seja dito socialmente saudável, portanto, que a educação, em todos os seus níveis, reflita este anseio: a formação de novos empreendedores, de pessoas conscientes da sua importância para o contexto sócio-econômico da região na qual estão inseridas. O que se observa, porém, é que os que ousam empreender são severamente repreendidos, especialmente no seio familiar, que freqüentemente frustra as tentativas nesse sentido, repetindo frases como “estude e tenha um bom emprego” ou “empresários são jogadores sujos”. Isso é compreensível: é somente a replicação de um paradigma profundamente consolidado. Uma ação para modificar este cenário, cujos desdobramentos seriam sobremaneira benéficos, seria a inclusão de disciplinas relacionadas ao empreendedorismo nos currículos dos cursos superiores das instituições públicas.
Vencer a pobreza e a desigualdade demanda ousadia, não há dúvidas. O empreendedorismo se ocupa exatamente disso: de ousar, de desafiar os paradigmas estabelecidos para superar as dificuldades e assim transformar o status quo. A atividade empreendedora não é uma panacéia, naturalmente. É, contudo, forma bastante eficaz para combater o quadro social que se apresenta. As Grandes Navegações Portuguesas são um exemplo de atitude combativa: que foram elas senão a expressão do espírito empreendedor de um povo não conformado com sua pequenez territorial? Fernando Pessoa estava certo: “Empreender” é preciso.
domingo, abril 22, 2007
Técnicas de Estudo

Para estudar é necessário ter uma postura ativa
Segundo Paulo Freire, o estudo necessita de uma postura crítica, de questionamento de curiosidade, na qual o estudante deve se sentir desafiado a absorver o conhecimento disponibilizado pelo autor do livro, como num diálogo. Estudar de forma passiva não produz resultados.
Método Socrático de Estudo
Segundo Sócrates, o estudo se divide em três fases:
- Aprender - momento inicial, onde começa a leitura, a aula etc.
- Apreender - é a fase em que o estudante, se utlizando de resumos, apostilas e materiais de apoio internaliza, reflete, revisa o que aprendeu.
- Praticar - é quando o estudante efetivamente aplica os conhecimentos adquiridos na resolução de uma tarefa, possibilitando-lhe permanente posse dos conhecimentos.
Só é possível estar motivado se se sabe com precisão o que se pretende alcançar e, mais além, se se pretende alcançar realmente vale a pena e o faz feliz. Como diz o ditado, "nenhum vento pode beneficiar um barco que não tem destino."
A partir da identificação do objetivo, certifique-se de que estejas disposto a "pagar o preço" necessário para alcançá-lo. Ajuda bastante mentalizar, visualizar o objetivo a alcançar. Pensar nas recompensas no momento de dor é sempre revigorante.
Isso possibilita superar com mais facilidade os obstáculos. Porém, não pelo fato de estes terem se tornados mais fáceis, mas pelo ânimo diferente ao encará-los. Noutro ponto da obra, William Douglas lembra que obstáculos são o que se enxerga quando deixamos de focalizar os objetivos.
Perguntas-chave no Estudo
Quando empreendendo a tarefa do estudo, é válido responder às seguintes perguntas, fruto da curiosidade:
- Como isso funciona?
- Por quê?
- Qual a utilidade disso?
- Qual a efetiva aplicação desse material?
- O que é mais importante aqui?
- Qual a importância disso para mim?
- O que meu interlocutor está querendo? (seu professor, examinador, amigo, contendor etc.)
- Vale a pena com isso?
- O quanto eu preciso aprender desse assunto?
- Quem disse isso?
- Onde eu aplico isso?
- Quando (em que ocasião) isso vai ser útil?
Neste ponto é também válido salientar que para se ter um estudo atento e concentrado e necessário conscientizar-se da sua importância, o que, novamente está ligado de forma direta à clara definição do objetivo. A atenção, não é, portanto, o primeiro momento do estudo, é uma consequência do valor conferido a ele. É indicado, assim, substituir "eu vou ficar atento" por "eu dou importância, logo ficarei atento" e "não gosto mas vou estudar" por "vou estudar porque gosto".
Num próximo post serão abordadas a noção de agregação cíclica e a teoria do quebra-cabeça. Estejam atentos... :-)
domingo, abril 08, 2007
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
Dark Chest of Wonders

Nightwish is what's called a symphonic metal band, but that's still over dispute! To tell the truth, no one's ever got to an agreement on the issue! It's also said Nightwish plays gothic/power metal... Tuomas Holopainen, the band's keyboards man, once described their music as "melodic heavy metal with a female singer".
Well, I know they sound just awesome, whatever musical style they supposedly (or actually) play! :-)
One of their songs I most fond of is "Dark Chest of Wonders". The song's lyrics follows.
Once I had a dream
And this is it
Once there was a child`s dream
One night the clock struck twelve
The window open wide
Once there was a child`s heart
The age I learned to fly
And took a step outside
Once I knew all the tales
It`s time to turn back time
Follow the pale moonlight
Once I wished for this night
Faith brought me here
It`s time to cut the rope and fly
Fly to a dream
Far across the sea
All the burdens gone
Open the chest once more
Dark chest of wonders
Seen through the eyes
Of the one with pure heart
Once so long ago
The one in the Big Blue is what the world stole from me
This night will bring him back to me
Fly to a dream...
Since lately I've been willing to improve my english communicating skills, from now on I'll post some stuff in the aforesaid language. I hope you won't mind me doing that! :P
terça-feira, fevereiro 13, 2007
A história de "estória"

Perdi a conta dos leitores que me perguntam sobre a famigerada estória. Uns querem saber se realmente existe essa distinção entre estória e história. Outros teriam ouvido que a palavra existiu outrora, mas hoje seria considerada arcaica. Há quem especule que estória tenha nascido de um erro de tradução. Quase todos perguntam se é uma distinção útil e necessária, ou se não passa de supérfluo balangandã. Peço perdão àqueles que fiz esperar, mas aqui vai minha resposta a todos.
Foi João Ribeiro, forte conhecedor de nosso idioma, quem propôs a adoção do termo estória, em 1919, para designar, no campo do Folclore, a narrativa popular, o conto tradicional, objeto de estudo dos especialistas daquela área. E não se tratava de inventar, mas sim de reabilitar (hoje usariam o horrendo resgatar...) uma forma arcaica, comum nos manuscritos medievais de Portugal. Era uma ingênua proposta, paroquial, nascida da inveja compreensível que causa a distinção story - history do Inglês; sem ela, alega o próprio Luís da Câmara Cascudo - para mim, um dos escritores que mais contribuíram para nossa língua -, não se pode entender frases como "Stories are not History", ou títulos como "The History of a Folk Story". Que o mestre Cascudo me perdoe: a intenção era boa, mas sem nenhum fundamento lingüístico.
Em primeiro lugar, a estória medieval não era um vocábulo diferente de história; era apenas uma das muitas variantes que se encontram nos textos manuscritos de nossos copistas, naquele tempo heróico em que a estrutura de nossa ortografia ainda lutava para sedimentar. Ali aparecem história, hestória, estória, istória, estórea (ainda não se usavam os acentos, que são de nosso século, mas não pude resistir). Da mesma forma, vamos encontrar homem, omem, omee (algumas vezes com til no primeiro e) e até ome. Nota-se que o emprego do "h" e das vogais ainda não estava estabilizado na escrita. Entretanto, já no séc. XVI - em Camões, por exemplo - a grafia de homem e história era a que é usada até hoje. Outras línguas da família latina, como o Espanhol e o Francês, também experimentaram essa variedade de formas para história, mas terminou prevalecendo a forma única (historia e histoire, respectivamente).
Em segundo lugar: grande coisa se o Inglês pode fazer a distinção entre story e history! E daí? Como o folclórico Napoleão Mendes de Almeida nos lembra, eles também distinguem entre can (poder, conseguir) e may (poder, no sentido legal e ético): "You can, but you may not" é uma rica frase em Inglês que só poderíamos traduzir com um aproximado "Você pode, mas não deve". Esse autor, que abominava estória, pergunta ironicamente: "Se curtos de inteligência foram nossos pais em não terem descoberto essa história de "estória", curtos de inteligência continuamos todos nós em não forjarmos distinção gráfica e fonética para "poder", para "educação", para "raio", para "oficial" e para outros vocábulos de formas diferentes em Inglês, como curtos de inteligência são todos os outros idiomas que têm palavras com mais de uma significação".
Dessa vez Napoleão bateu no prego e não na tábua. Uma olhada no meu Oxford e me dou conta que para nosso raio, por exemplo, o Inglês tem (1) ray (onde temos "raio de luz", "pistola de raios"), (2) radius (o "raio de um círculo") e (3) lightning (a "descarga elétrica"). É mais do que comum o fato de uma língua fazer distinções vocabulares que outras não fazem. Como tive a oportunidade de mencionar em outro artigo (Atravessando o Canal da Manga), o Espanhol designa com um único vocábulo (celo, celos) o que nós distribuímos por três: zelo, cio e ciúme. Invejamos o story do Inglês? Eles então devem ficar verdes diante de nosso ser e estar, distinção fundamental na vida e na Filosofia, que eles simplesmente desconhecem. Assim são as línguas humanas, na sua (im)perfeição.
Além disso, os amáveis folcloristas que defendiam estória pensavam apenas em distinguir "a História do Brasil das Histórias da Carochinha". Do ponto de vista lingüístico, erraram por todos os lados. Primeiro, erraram porque essa não é uma distinção útil, que justifique sua defesa. O português José Neves Henriques, o severo e consciencioso JNH do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa (já falei sobre ele na seção de Links), condena essa invenção "brasileira" (ele tem razão: é coisa nossa), tachando-a de "uma palermice, porque, até agora, nunca confundimos os vários significados de história. O contexto e a situação têm sido mais que suficientes para distinguirmos os vários significados". Certo o professor Henriques, errados os folcloristas: ninguém vai confundir a história de um país com a história do bicho-papão.
Segundo, erraram porque enxergavam apenas dois pólos bem definidos: a história que se refere ao passado e ao seu estudo, e a estória da narrativa, da fábula. A experiência nos diz que essas invasões de searas alheias geralmente pecam por um raciocínio simplista, reducionista. Quem mexe no que não entende, termina fazendo bobagem... e não deu outra. Nossos estudiosos não perceberam que a distinção sugerida, apetecível do ponto de vista deles, acabaria criando incertezas e hesitações em frases corriqueiras como "Deixa de histórias!"; "Essa já é outra história"; "Que história é essa?"; "Eu e ela temos uma velha história". Qual das duas formas usar? Por tão pouco benefício, por que assombrar ainda mais os que escrevem em Português? Faço questão de frisar "os que escrevem" - porque aqui, também, reside outra falha da proposta de João Ribeiro: as duas formas não seriam distinguíveis na fala, já que a realização da vogal "E" inicial de estória é geralmente /i/ (como em espada, esperto, etc.). Ambas seriam pronunciadas da mesma maneira: /istória/. E quantas outras palavras, derivadas de história, deveriam ser alteradas? Historieiro? Historiento? As historietas passariam a ser estorietas? Os aficionados em quadrinhos passariam a usar EQ em vez do consagrado HQ? Como se vê, "muito trabalho por nada", como reza a comédia de Shakespeare.
De qualquer forma, o uso de estória poderia ter ficado confinado ao mundo do Folclore, onde talvez fosse de alguma utilidade. Afinal, não é incomum que certas áreas do pensamento postulem, para uso exclusivo, vocábulos novos ou variações fonológicas ou ortográficas de vocábulos antigos, no afã de obter maior precisão em seus conceitos. Isso se verifica, por exemplo, na Filosofia, na Lógica, na Lingüística, na Psicanálise (onde me chama a atenção a impressionante inquietação lingüística dos lacanianos). Como é natural, essas variantes vão fazer parte de um código específico, cujo emprego passa a ser indispensável para os especialistas dessa área, mas não entram no grande caudal da língua comum. A criação, a utilização e, muito seguidamente, a agonia e morte dessas formas são registradas em discretos dicionários especializados, convenientemente isolados do grande rebanho representado pelos dicionários de uso.
Infelizmente, como nos piores pesadelos dos ecologistas, estória rompeu as cercas de segurança, saiu do pequeno rincão do Folclore e invadiu nossas vidas. O responsável por isso foi João Guimarães Rosa (pudera não!). Como escreve meu mestre Celso Pedro Luft, com uma ponta de inesperada ironia, Rosa decidiu "glorificar, imortalizar a ausência do agá: Primeiras Estórias. Corriam os anos de 1962. Primeiras estórias ... todos os fãs do mineiro imortal ficaram absolutamente alucinados. E foi estória para cá, estória para lá, estória para todos os lados. Uma epidemia. Perdão, uma glória". Depois, em 1967 veio Tutaméia, com o subtítulo "Terceiras Estórias", e o póstumo Estas Estórias, publicado em 1969. Muito tem sido escrito sobre a inovação da linguagem rosiana; a sintaxe de seu narrador é, a meu ver, a criação literária do século. No entanto, sou obrigado a observar que, em termos não-literários, essa inovação é zero. Nenhuma das palavras montadas, deformadas ou inventadas por ele jamais será usada, a não ser por imitadores (que já andam escasseando...). É uma linguagem só dele; funciona admiravelmente no universo de sua obra, mas é seu instrumento pessoal, e nunca será nosso. Ouso dizer que a única influência rosiana no Português foi a divulgação desse equívoco que é estória. Tenho certeza de que Guimarães Rosa, místico de quatro costados, entenderia: deve ser vingança dos deuses da Língua.
Fonte: http://www.sualingua.com.br/08/08_estoria.htm
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
POEMA EM LINHA RETA
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
Álvaro de Campos


